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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

DESCULPE O TRANSTORNO, PRECISO FALAR DO LAUGI

Conheci eles num coral. Essa frase pode parecer lírica se você imaginar alguém cantando Hallelujah de Haendel, de Mozart ou mesmo do Leonard Cohen. Mas o coral em questão se apresentava fazendo percussão corporal e estavam lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música em questão era um medley patriótico do Ary Barroso.
Quando as pessoas batiam palmas no tempo, eles batiam no contratempo. Quando cantavam a segunda voz, ninguém queria cantar a primeira. Foi paixão à primeira vista. Pelo menos pra mim, acho.
Passamos alguns ensaios ao som de Seal e Flávio Venturini e conversávamos via Yahoo Grupos. De lá migramos para o Google Grupos. Do Google Grupos para o Voxer (que "remixava" minhas mensagens de voz). Do Voxer, para o Whatsapp.
Fiz parte do grupo quando ele tinha 6 anos e eu 3 de Brasília, mas parecia que a vida começava ali. Fizemos apresentações em horários de almoço para empresas, casamentos, livrarias, casas de show, barzinhos, peças de teatro, programas de TV. Viajamos o Brasil dividindo medos de avião. Escrevemos projetos, arranjos, métodos de trabalho. Das músicas que eu gosto, várias foram cantadas. Aprendi o que é ser artista, ter presença de palco, e até como me vestir sem parecer um hominho e muito menos uma periguete.
Um dia, o grupo acabou. E não foi fácil. Choramos nos ombros de nossos respectivos maridos. Se ao menos a gente tivesse gravado um CD, eu penso, levaria sempre eles comigo.
Esta semana, pela primeira vez, vi o grupo que fizemos juntos uns remanescentes. Eu saí para morar em outra cidade, mas deixei alguns arranjos para eles se divertirem. E o que me deu foi uma felicidade profunda de ter criado legado na vida. Escutem aqui em baixo o arranjo que eu fiz para o grupo Supertronica, "Puro Êxtase/Garota Nacional". Originalmente para cinco vozes, mas eu fico cantando a segunda voz em cima.

domingo, 13 de outubro de 2013

QUERO SER ESTRELA LÁ NO RIO DE JANEIRO 2 - é tão bom quando tudo dá certo

Ano passado, o Laugi ganhou o concurso de grupos vocais Brasil Vocal no Rio de Janeiro, e como continuação do prêmio, fomos convidados para abrirmos o show de um dos grupos vocais mais conceituados do Brasil, o Boca Livre. E como se deu a preparação para este momento?
Parte 1 - Brasília
Como íamos para o Rio de Janeiro não dava para ir no anonimato, o Laugi fez um senhor show, e para isso precisaríamos de uma divulgação maciça. E no dia do show aparecemos três vezes na televisão: a primeira numa notinha do DFTV hora do almoço, a segunda fechando o DFTV segunda edição e outra na Band no seu jornal local, fazendo-se cumprir a terceira parte da profecia. O show aconteceu no Teatro Oi, cumprindo-se a parte final desta profecia que foi a música de abertura deste show. Num dia chuvoso, conseguimos encher aquele teatro não só de fãs mais de pessoas que ainda não conheciam o nosso trabalho. Neste dia, teve até maquiadora para as meninas, e eu fiquei com cara de capa de revista Nova. O show também tinha contado com divulgações em Taguatinga, ParkShopping e num jazz pub muito legal chamado 10 0 13.
Parte 2 - Rio de Janeiro
Depois do show, tivemos menos de duas semanas para arrumar nossas malas e fazer um desapego de músicas para levar, pois nosso show no Oi teve duas horas e teríamos apenas 40 minutos antes de abrir para o Boca Livre. Fora isso, Paulão operou a apendicite, Giselle teve distensão muscular tão feia que acharam que era trombose. Chegamos no Rio, uns na quarta e outros no dia. Quem chegou na quarta, na hora da descida, fez uma egrégora de mãos dadas para unir energias enquanto o piloto sem noção assustava a gente berrando: "TRIPULAÇÃO... pouso autorizado." Na quarta, fomos até a tenda, inaugurada para uma grande programação cultural até 2014, e com capacidade para 600 pessoas. Foram os primeiros shows do Festival Brasil Vocal, incluindo grupos vocais veteranos e a nova geração. No primeiro dia, tivemos o grupo Ordinarius que conta agora com Marcela Mangabeira, ex-BeBossa. Eles apresentaram seu arranjo mundialmente conhecido de As long as you love me e outras canções de seu repertório. E logo após vieram cantar o Quarteto em Cy, divassas cantando sucessos consagrados em aberturas de novelas. Na quinta, o grande dia do show, cada um se preparou como pôde, ou indo pra praia, ou indo pra piscina, ou indo pro Rio diretamente pra tenda. Na tenda, demoramos para passar o som até conseguirmos regular bonitinho. Feito isso, teríamos apenas uma hora e meia para voltar pro hotel, se arrumar e ir cantar. Isto porque era uma quinta, tinha gente com mala ainda e o evento era na Candelária e estávamos no Catete. Chegamos e fizemos o milagre da multiplicação dos minutos, se arrumando, maquiando, tomando banho, ajeitando o cabelo. Claro que só conseguimos sair sete e meia da noite para pegarmos um metrô e andarmos mais uns 200 metros (o pessoal que estava meio lesionado rachou um táxi) e eu sair andando nos paralelepípedos do centro do Rio de saltão. O primo do Jairo que encontrou a gente no metrô estava desejando um "Quebre a perna" quando eu quase quebrei a minha caindo nos paralelepípedos. Chegamos, nos recompomos e o pessoal do Boca Livre chega no nosso camarim desejando merda pra gente! Subimos pro palco e nunca antes na história destes shows todos entramos tão relaxados num palco tão desconhecido. Aquele lugar era nosso, e muita gente aplaudia. De todos os três dias, o nosso foi o único que não fecharam a tenda pra calçada, então quem passava por lá poderia ver e ouvir a gente. E muita gente parava pra ver, principalmente na hora do hino. A plateia aplaudiu muito a gente, e foi uma das nossas melhores apresentações ever! E depois demos lugar para o Boca Livre, que foi simplesmente lindo. Elogiaram a gente, cantaram lindamente, e todos eles têm a voz do Zé Renato! O Maurício Maestro é uma elegância só tocando o baixo e cantando. No final, eles chamaram a gente para dividir o palco e cantarmos Ponta de Areia, que mesmo que 90% de nós não soubessem a letra inteira, foi muito emocionante. Nós falamos que já cantamos um arranjo de Bicicleta, e eles pediram pra gente cantar, e no final eles estavam cantando junto com a gente! Foi simplesmente um momento surreal! Depois comemoramos juntando David Reis, que tinha acabado de chegar para concorrer ao mesmo concurso que o Paulão ganhou ano passado, o de arranjos vocais. Brindamos ele com as falas da peça que cantamos ano passado. Sexta, depois de dever cumprido, voltamos lá pra ver o show do grupo vocal baiano MP7. Foi simplesmente fantástico, e neste grupo, tem uma moça que faz percussão vocal. E o MPB4 que veio depois foi muito fofo reverenciando o MP7. O show deles foi simplesmente lindo e o cara da iluminação roubou a cena.
E já teremos atividades na quarta e na quinta, depois desta estadia maravilhosa no Rio: show Nosso Jeito no Guará. VEM COMIGO!
P.S.: questão de honra pra mim aprender a Ponta de Areia inteira!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O NOSSO NOVO JEITO, DO MEU JEITO, DE NOVO

Semana de recesso. Volta com encontros e despedidas. Tia, me dá um autógrafo? Sinusite. Ensaios musicais. Gravações. O Brasil acordou. Gravação do hino. Videoclipe na Esplanada. Divulgação no Facebook e no youtube. 1000 compartilhamentos. Responsabilidade aumentando. Exigência aumentando. Novas cenas. Foco, concentração e disciplina. Correr atrás do prejuízo. Semana final. Últimos detalhes. Espaço reduzido. Cortes. Desapego. Passada no teatro. Uma sem voz, outra com dores na lombar, eu com bursite no quadril. Flashmob no Terraço Shopping. Everyone must stand... opa, agora não. Luz e som. Entravada. Wololo. Aprendendo a andar de salto. Pussycat Dolls. Pose da Xuxa. Gravação de making of. Velas. Artificiais, claro. Cadeiras e bancos. Chegar em casa meia-noite.
Sábado. Relaxamento, divulgação, nail art e arrumação do cabelo para evento duplo. Arruma a mochila dupla. E o iPad? Chega no teatro. Arruma um balde pra pia. Lanchinho bem organizado. Limão e nada? Tem que arrumar o projetor. Não vai dar tempo de passar geral. Não vai dar tempo de se maquiar. Passagem rápida. Passa som e luz. A vela não apaga. Quase caí da cadeira. Maquiagem. Faz a sobrancelha. O pessoal já vai entrar. Apaga as luzes. Deixa a do banheiro. Meninas se maquiando com a lanterna dos celulares. Arruma as cadeiras e as jaquetas. Segura sua mão na minha. Energização e concentração. Tem gente do musical na plateia. Apagam-se as luzes. Projetor. Entrando com o hino. Caras novas. Palmas. Subiu um tom. Diversidade. Boa noite, Cruzeiro! Espirro. Muito amor. Sensualizando. Risadas. Festa. Ex-laugiana na plateia. Duelo de percussão vocal. Sangue nos zoio. Risadas. Velas artificiais. Sensualizando com as cadeiras. Meu filho. Remember 1986. Minha voz engasgou. Aplausos. Mais um! Voltou!!! Bis. Sofá. Alex Kidd. Tosse. Fim. Aniversário do Jairo. Cumprimentos na recepção. Saída rápida, porque teve um casamento em Vicente Pires. Vodka ou água de coco?
Domingo. O cara do Glee morreu. Almoço. Ensaio de outro musical. 34 graus sendo que ontem estava 9. Secura. Chegada ao teatro. Tira o sapato. Cadê a jaqueta? Cadê o Filipe? Leseira. Reunião para acertar o que não acertou ontem. Dor de cabeça. Neusa. Do-in. Toalha molhada. Ida ao banheiro. Tenho que estar boa logo. Desespero. Recuperação. Maquiagem. Concentração. Eu sou o que sou e todas desfrutam disso. Dar o máximo. Frio na barriga. Entrada do vídeo. Tá vendo aquela lua? Entrada do hino. Palmas. Água entre cada música. Ovação. Torcida organizada Baccile. Risadas com a percussão. Sangue nozoio. Plateia ensandecida. Gelo seco na cara. Sensualizando. O poder dos quadris. Lorem ipsum. Aplausos. Mais um! Rápido! Bis. Risadas e mais risadas. Fim. Cumprimentar o povo do palco mesmo. Tirar fotos. Receber os parabéns de gente da Escócia e de Portugal. Vamos sair por aqui mesmo. Não, vamos na creperia tal. E assim no dia da queda da bastilha, 12 anos depois do "memorável" show do Beto Júnior, eu consegui me entregar no palco de uma maneira muito bacana, com liberdade, e fraternidade. E o show tem que continuar, sempre!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

YOU'RE A SUPERSTAR, YES, THAT'S WHAT YOU ARE


O ano de 2013 começou com pressa, aquela pressa de ser tudo o que eu queria e ter mais tempo pra me exercer, porque eu já tenho quase 30 mas eu gosto de Bon Jovi... Comecei a escrever em um projeto new age para quem não gosta de new age. Convidei algumas pessoas pra gravar, mas ninguém quis gravar comigo. Enquanto isto, o Laugi começava uma nova fase e eu estava inserida nela. Muitos direcionamentos depois, acabamos por consolidar tudo isto em um show. Muita coisa aconteceu, muita coisa quase aconteceu, muita coisa simplesmente não aconteceu, mas o show estava lá. E na semana final de ensaios, também teríamos um evento pra cantar, os 45 anos da UniCEUB. Foi mais ou menos assim: segunda, ensaio geral, e um bolinho porque eu estava fazendo 30 anos. Terça, alguns estavam gripando, então foi em casa somente. Na quarta, dia do trabalho, trabalhamos para acertar mais ajustes do show e do evento. Na quinta, o evento. Chegamos lá e preenchemos um crachá com nome, curso e hobby. Boiei, porque música não é mais hobby, e sim, profissão, e hobby, bem, é aquele ex-menudo que canta Michael Row se esborrachou. Eu senti um frio na barriga tão grande no começo, e olha que não tinha nem 1000 pessoas. Mas emocionamos quem estava presente de manhã. À tarde, fomos pra galera, e era muito legal você encarar o público, ver a reação das pessoas, provocar, ninguém poderia ficar alheio. E à noite, a tenda estava formada com 5 mil pessoas querendo assistir as palavras do número 2 da Apple Steve Wozniak (Que é tão "bazinga" quanto a caninha 51) e a gente entrou arrasando, com uma introdução do locutor famoso em Brasília Toninho Pop, chamando a gente de "a banda que está fazendo o maior sucesso..." (Me senti entrando no palco do Domingão do Faustão!). E um dos meus filhos do projeto new age estava lá, devidamente adaptado para o contexto da cena, e fazendo a galera de comunicação social pirar. Para variar só um pouquinho, eu tropecei na Cinthya enquanto estava no palco.
Mas quem descreveu com exatidão nossa sensação de estar lá foi a laugiana Carina Calheiros em sua página no Facebook. Ela disse assim: "Eu já deveria ter ido dormir há algum tempo... A maquiagem escorrendo no canto dos olhos, as pernas cansadas, as pálpebras cerradas! Mas estou a processar algo em mim, algo bastante mágico, sincero e pleno! Hoje subi algumas vezes ao palco pra cantar. Hoje eu também desci do palco pra cantar. E o que mais soa estranho agora é tentar entender os momentos em que tive dúvida se era isso que eu queria pra minha vida. Sabe o que é você estar nu diante de aproximadamente 5 mil pessoas? Eu falo da nudez da alma, aquela que é tão rara nas relações humanas! E quando eu olhei nos olhos do público, eu estava toda ali, inteira, vulnerável e feliz.

Não é fácil lidar com as pequenas frustrações de uma nota desafinada, de um tom menos apurado, porque quero a excelência, junto aos que estão comigo, porque quero dar o meu melhor, porque quero que você receba a energia transformadora do canto de forma cuidadosa. Mas imagino que deva ser ainda mais difícil lidar com a frustração de uma vida inteira a dar satisfação sobre você não ter seguido seu coração nas tuas escolhas!

É preciso coragem pra subir num palco e se entregar... Mas é preciso muito mais coragem pra uma vida cheia de desculpas! Eu não tenho conselho pra dar, mas tenho um testemunho a fazer: Cantar é meu grande prazer, minha subversão, minha ocitocina!" (CALHEIROS, Carina)
Na sexta-feira chegamos ao teatro do SESC para passar a luz e o som e as posições. Não podia muita coisa a ser feita, já que os instrumentos para o pessoal que iria cantar no Clube da Bossa sábado de manhã já estavam previamente montados. Mas mesmo assim fizemos o que conseguimos. O show de sábado já estava quase lotado, e um cara que tinha assistido ao fórum do UniCEUB na quinta tinha trazido a esposa junto para acompanhar. Ela é manicure e tem um site inclusive, o que me fez dobrar a responsabilidade da nail art que eu iria fazer nas unhas (Ah, de longe funcionou, vai!)
No sábado, eu fui de manhã ao workshop do Marconi Araújo. Dentre outras façanhas do mundo da música e do teatro musical, ele fez a Xuxa cantar. O clima estava tão seco e ardido e aquele teatro escuro, eu anotando o que o homem falava, e comecei a ficar com uma dor de cabeça brava. Saí para almoçar naquele sol ardido e forte, e comprei ibuprofeno. Tomei, fiquei mais um pouco no escuro do teatro, fui fazer o ensaio geral. A secura absoluta do ar me impedia até de pensar. Terminou o ensaio geral, tomei mais um ibuprofeno, e se existisse anti-doping pra entrar no palco, eu seria altamente barrada. Agora entendo uma Amy Winehouse. Maquiamos, arrumamos o figurino, passamos som e luz, e o povo começou a entrar. A casa ficou cheia. Entramos no palco, eu ainda meio dopada de ibuprofeno, mas feliz de estar lá em cima de novo. Foram várias trocas de figurino, idas e vindas no palco, e uma das meninas que assistiu a gente até perguntou como fizeram para me encolher. Fácil.
No domingo, chegamos mais cedo para gravarmos um vídeo. Vários takes depois, nos arrumamos para o show, nos aquecemos, passamos algumas coisas que não tinham ficado boas no dia anterior. Neste dia, uma responsabilidade maior, pois muitos ex-laugianos estariam na plateia. Domingo também lotou, e eu nunca vi uma plateia tão ensandecida desde os tempos do thundercats. Todo mundo cheio de energia, tanto do lado da plateia, quanto do lado do palco. A troca foi intensa. Tanto que quando terminou o Sessão Desenho, eu estava em estado de êxtase, que durou horas e horas.
Só a arte para poder ampliar o que é belo e barrar os sentimentos negativos das pessoas. A arte nos torna melhores, mais humanos, mais sensíveis e mais receptíveis ao belo.
Este show foi simplesmente antológico. Moral da história: "Que coisa louca, eu já sabia, enquanto eu me arrumava, algo me dizia: você vai encontrar alguém que vai mudar a sua vida inteira da noite pro dia."

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

E TUDO POR CAUSA DO REI CAPITÃO

Para quem vem acompanhando a minha saga de volta aos palcos, na semana passada o grupo Laugi foi convidado para ser pit singer (ou coro fixo) de um musical do aclamado diretor Hugo Rodas, chamado "Rei David". Tudo começou quando recebemos as músicas para ensaiar, eu coloquei no celular e ele sumiu. Que beleza! Mas depois consegui ouvir as músicas e escutar bonitinho durante as férias. Os ensaios de coro começaram na semana anterior, numa segunda-feira extremamente chuvosa, que me fez provar que no fim do mundo, vou me salvar porque dirijo igual a protagonista de filme-catástrofe. Naquele dia conhecemos um pouco da peça que só tínhamos ideia pelo áudio do ensaio. Os ensaios nos foram familiarizando com o tema. Mas a semana decisiva foi do dia 26 em diante, quando passamos as noites inteiras de segunda a domingo dentro da UnB para ensaiar e apresentar. A nossa função era ficar sentado escondido do lado esquerdo do palco (direito para quem assiste) numa plataforma de madeira (nada para quem subia e descia aquela plataforma do RENT umas 45 vezes), cantando o nosso melhor. A bunda doía nos primeiros dias, e aí era engraçado porque às vezes os atores de tanto trabalho corporal queriam estar sentados, e a gente queria estar se mexendo no palco. A cada marcação, a cada repetição, a cada erro, a cada acerto, a cada "bronca" do diretor, íamos aprendendo e absorvendo. Alguns atores nos chamavam a atenção pela sua presença, tensão e tônus muscular. E o que me chamou a atenção foi a atriz e cantora Aida Kellen, solista de duas músicas, e cantava mais do que muita menina de musicais à Broadway de Brasília. Mas para mim foi uma experiência interessante: não houve o frisson de entrar em cena justamente por eu estar escondida. Outra coisa foi que tínhamos pastinhas para colocar as músicas e usaríamos pequenas lanternas para nos acompanhar. No primeiro dia eu usei a do celular e ele me caiu na segunda sessão, aí desisti. Mas aos poucos a gente foi decorando quase todas as músicas, isso porque decoramos praticamente a peça inteira, lembrando sempre das frases mais marcantes durante o dia.
O bom de estar sentado escondido numa posição estratégica atrás do palco é que a gente via as cenas de um ponto onde ninguém teria ideia. As entradas e saídas de palco, a mão do regente da Brasília Big Band Ademir Júnior, alguns "satz" de alguns atores que da plateia ninguém jamais imaginaria ver, e alguns segredos de peça que não serão contados, mas que a gente via a reação da plateia e achava muito interessante. Todas as sessões eram praticamente cheias, e foi muito gratificante ver meus colegas de trabalho (em todos os sentidos) nos assistindo, ou melhor, assistindo a peça e nos ouvindo. A hora de concentração do palco muitas vezes contava com o aquecimento da orquestra, que tocava de Cartola até Araketu, passando por É o Tchan e Dire Straits. E no último dia, o elenco, o grupo e o regente da orquestra se uniram em roda para transmitir aquela energia e gritar: "Vocês são meus, vocês são os homens de David!". No domingo, eu estava sem voz, fiz um aquecimento lascado e ainda consegui dar 40% do que eu geralmente dou. Mas foram dez sessões intensas, corridas, cantadas, improvisadas, com toda a atenção e energia necessária para o palco. E entre uma sessão e outra no domingo, apresentamos Kid Cavaquinho para o elenco de atores que aplaudiu forte a gente. É, estamos  todos juntos neste barco, querendo levar arte às pessoas.
Há três anos, eu, Maria Barrillari, abandonei uma porta que se fechou de repente e resolvi procurar cantar e atuar desesperadamente por Brasília. Hoje, as portas se abrem e eu posso dizer que sou feliz no que eu faço.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

QUERO SER ESTRELA LÁ NO RIO DE JANEIRO - a saga

Parte 1 - Brasília
Quero entender que poder que o palco tem de nos entorpecer e nos imergir. Nele, não existe nada que nos atrapalhe, nem brigas com chefe, nem doença na família, preocupações financeiras e trâmites burocráticos. Eu me sinto tão em casa no palco e o mais interessante, é uma experiência que eu posso até não lembrar de momentos físicos, mas de sensações.
E foi isto que aconteceu no dia 31 de maio. Geralmente as apresentações que acontecem em dias de semana tem o fator "ai, estou saindo do trabalho diretamente para minha vocação".
No dia anterior foi a montagem do palco e passagem de luz, som e vídeo, com direito a um toró em pleno mês de maio e esfihas no final. Por causa da chuva, as esfihas demoraram horas para aparecer, o que fez com que a gente comesse com mais entusiasmo.
Quinta-feira foi um dia aparentemente normal, com direito a um tai chi na hora do almoço para me concentrar melhor. Não fosse o apagão que teve no período da tarde, seria normal. Chegando no teatro, já com a luz reestabelecida, tropecei no degrau da porta de entrada do backstage quase derrubando os instrumentos, uma "tradição" meio "sem querer querendo" de tropeçar/cair que vem sendo mantida toscamente desde 1989 (com exceção dos shows da Guarda do Conde). Acertados os microfones, hora de fazer a maquiagem e lanchar um "coffee break" super caprichado com maçãs devidamente embaladas (teve gente que não comeu pensando que era bolo de tão embaladinhas que estavam), bolachinhas, patê de atum e alguns chocolates que foram bem guardados para depois do show. Aquecimento, concentração, relaxamento, e a tradicional prece do teatro (aquela!). Aguardando na coxia, nem percebi que os sinais tocaram. Ex-laugianas na plateia. Entramos. Palmas, emoção, casa cheia, apesar das concorrências de Ivan Lins e Fábio Júnior. Surpresas. Laugi7. Microfones na mão. Aplausos. "Já ganhou!" Intervalo. "Tesão de vaca". Mulheres no palco. Lindas! Homens no palco. Risadas. Emoção a flor da pele. "Quero ser estrela lá no Rio de Janeiro" com toda a convicção do mundo. Risadas e mais risadas. Fim. Bis. Cumprimentos na entrada e votos de boa sorte para o Rio de Janeiro. E na noite que marcou os dez anos da história do cavalo de Guaratinguetá, nada como celebrar a vida cantando e depois brindando o sucesso do show num lugarzinho aconchegante.
Parte 2 - Laugi in Rio
Eu nunca tinha cantado e pernoitado em um estado que não morasse ou tivesse morado (Novo Gama e Luziânia não contam porque voltei no mesmo dia). E ainda mais sendo no Rio de Janeiro, cidade que eu sou apaixonada. Parte do elenco viajou na sexta às 14h, quando marcava 30°C na capital federal, fazendo-se cumprir a primeira parte profecia já cantada pelo grupo.
Já eu e outra parte do grupo embarcamos sábado de manhã. O atraso nos fez ouvir nossos nominhos do homem do aeroporto. Chegamos no Rio de Janeiro (e ainda presenciamos Yamandú Costa tocando em plena sala de embarque), descansamos um pouquinho e fomos fazer o ensaio final em um estúdio nas Laranjeiras. Passados últimos ajustes, iríamos torcer para o primeiro prêmio, que era o concurso de arranjos vocais, no qual Paulo Santos, nosso diretor musical, estava concorrendo com Madalena, cumprindo-se a segunda parte da profecia já cantada pelo grupo. O arranjo foi executado por exímios cantores de grupos vocais do Rio de Janeiro, e foi um sucesso.
O domingo foi de expectativa e relaxamento. Passamos a manhã na praia de Copacabana. Como não amar? Alguns de nós entramos no mar e levamos altos caixotes (e aí eu digo que prefiro mil vezes que meu dia pré-apresentação seja gastando o corpo e poupando a mente do que poupando o corpo e gastando a mente na profissão-estepe). Outros preferiram apreciar a paisagem e se encher de energias com vista pro mar para fazer uma ótima apresentação à noite. À tarde, passamos o som, voltamos pro hotel, nos trocamos, maquiamos e fomos. Eram 5 grupos participantes, sendo que dois do Rio, um de São Paulo, um de Salvador e a gente de Brasília. Nos aquecemos, concentramos, fizemos um pouco de tai chi e esperamos sermos chamados. Cantamos e fomos muito aplaudidos, apesar de no começo o microfone da Giselle não ter saído som. Saímos e fomos para uma sala onde estava passando o telão com os outros grupos. No teatro do CCBB, havia gente ilustre no júri, como o consagrado cantor e compositor do grupo Boca Livre, o Zé Renato. Terminada a apresentação dos grupos, o Coral São Vicente a Capella se apresentou de forma emocionante, pois haviam perdido recentemente a preparadora vocal Malu Cooper. Na penúltima música, somos todos chamados para a plateia do teatro de onde sairiam os resultados. Dedos cruzados, satisfeitos de termos mostrado o nosso trabalho, ouvimos os prêmios. E aí foram falando, terceiro, segundo, e anunciaram o vencedor de arranjos vocais a capella: o nosso Paulo Santos! Aí foi só alegria, todos nós comemorando sua vitória, mas ainda tinha o resultado do concurso de grupos vocais. Anunciou o terceiro, anunciou o segundo. Ficamos todos de mãos dadas fazendo aquela corrente pra frente. Na hora que o apresentador falou "O primeiro lugar é de Brasília", a gente nem esperou ele terminar de falar. Foi muita emoção ganharmos aquele prêmio. E aí, fomos pra galera!!! Nos abraçamos, berramos, choramos, rimos, foi tudo ao mesmo tempo. Ligamos pro mundo inteiro, postamos no Facebook, twitter, mandamos mensagens para todos que torceram pra gente comemorarem junto. Participamos de um coquetel com os outros participantes e depois fomos comemorar em Ipanema, com direito a cantarmos "Pra longe do Paranoá" no calçadão da praia.
Atualização 17:10 - Saímos no Correio Braziliense, com direito a fotinho e tudo: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2012/06/04/interna_diversao_arte,305631/laugi7-conquista-premio-de-melhor-grupo-vocal-em-concurso-de-novos-talentos.shtml

quinta-feira, 17 de maio de 2012

BACK IN BLACK

Esta semana está sendo especial por se comemorarem vários fatos:
1. Está fazendo um ano do meu primeiro Jogo de Cena, aquele dos Thundercats.
2. Está fazendo um ano do show Nosso Jeito, na Martins Pena.
3. E por último, não menos importante, eu estou voltando aos palcos depois de quase dois meses parada por causa de uma fenda nas pregas (*UI!*) vocais. Agora eu entendo uma Adele.
E por isto ontem foi um dia especial. Começou murcho, porque como todo jogador que volta de uma lesão (agora eu entendo um Adriano) fica meio ansioso achando que não vai dar conta, que a perna vai falsear a qualquer corrida mais hardcore, por mais meses e meses de fisioterapia que ele tinha feito. Mas fui. E o Jogo de Cena desta vez foi na Martins Pena, o que juntou todas as comemorações de cima. Quanto mais eu me aproximava da Martins, mais o meu coração se enchia de alegria para a minha tão esperada volta. Ainda estou com um pouco de tosse, porque tinha pego uma gripe no Peru. E quando eu entrei no teatro, meu coração estava cheio de alegria e meu nariz cheio de alergia. Ô cheiro de ácaro que tem aquele lugar! Mas quando eu pisei lá esperando o resto do povo para ensaiarmos tudo aquilo voltou. Me lembrei das brincadeiras na coxia, eu tropeçando durante o ensaio geral, dos camarins que a própria faxineira falava "cuidado com as baratas" e do chuveiro com garrafa pet que tinha escondido. Passamos a luz e o som e aquilo me dava uma expectativa muito feliz do retorno. Terminado o ensaio, hora de se arrumar, lanchar e se aquecer. Enquanto as mulheres se maquiavam, os rapazes arrumavam os DVDs cantando Single Ladies como se tivessem inalado gás hélio. Estava muito frio, mas nada que se compare à noite mais fria do ano passado, quando fizemos o show. Nisso vimos o pessoal do projeto I'll be there, com nosso Michael Jackson, o ex-laugiano David Reis, sempre trocando energia boa entre a gente. Quando chegou nossa hora, nos aquecemos, nos concentramos e ficamos prontos pro palco. Aguardando na coxia, o pessoal da produção do evento colocava como música de fundo uns rocks pois o tema era Jogo de Cena Radical, e tinha até parede de escalada. Como Cesar Cielo antes de entrar na piscina, aquilo exaltou nossos ânimos e nossa vontade de dar o melhor, e para mim mais especial ainda porque um dos rocks tocados foi Back in Black, do AC/DC, cuja letra fala de alguém que está de volta depois de um período negro. Entramos no palco e demos o nosso melhor. O pessoal aplaudiu muito, a gente ouviu uns "Bravo!" "Caralho!" "Melhor da noite!" e eu estava ali, imersa e mergulhada no palco como alguém que volta a nadar seus 100m rasos, de volta e feliz. Saímos do palco felizes com o reconhecimento da plateia, e fomos vender DVDs passando pela passagem secreta (uma escadinha nada acessível) para chegarmos ao público.
E em homenagem a este dia tão bem sucedido, a Rádio Estéreo Estepe FM dedica esta música para você que passou por períodos negros, com as pessoas achando que não ia dar certo, que não podia, mas que passou por cima de todo mundo e agora está de volta com grande estilo!

BACK IN BLACK (AC/DC, que não significa Antes de Cristo/Depois de Cristo)
Back in black, I hit the sack
I've been too long, I'm glad to be back
Yes I'm let loose from the noose
That's kept me hangin' about
I've been livin' like a star 'cause it's gettin' me high
Forget the hearse, 'cause I never die
I got nine lives, cat's eyes
Abusing every one of them and running wild
'Cause I'm back! Yes, I'm back!
Well, I'm back! Yes, I'm back!
Well, I'm back, back
Well, I'm back in black
Yes, I'm back in black!
Back in a band, I got a Cadillac
Number one with a bullet, I'm a power pack
Yes I'm in a band with a gang
They gotta catch me if they want me to hang
'Cause I'm back on the track and I'm beatin' the flack
Nobody's gonna get me on another trap
So look at me now, I'm just a makin' my pay
Don't try to push your luck, just get outta my way
'Cause I'm back! Yes, I'm back!
Well, I'm back! Yeah, I'm back!
Well, I'm back, back
Well, I'm back in black
Yes, I'm back in black!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

UM SONHO A MAIS NÃO FAZ MAL

E sexta-feira e sábado agora foi mais uma etapa cumprida das várias etapas que eu andei conquistando desde o começo do ano. A peça "Vide o quê" realizada junto com o Grupo Pockets no CCB. E veja como foi.
 
Vê se entende a minha pressa
Tudo começou em setembro, mais precisamente dia 07, quando o diretor musical Felipe Ramos entrou em contato comigo a respeito de uma audição. A música? "Todo azul do mar", a qual eu já tinha ouvido no mesmo dia em três ocasiões diferentes, com três pessoas diferentes, incluindo a do link. Passei na audição e soube que a peça seria em novembro, ou seja, seriam dois meses pra montar tudinho.
 
Coração não é tão simples quanto pensa
Mas como todos os meus projetos, sempre tem extras, e desta vez era a viagem do Laugi para Ribeirão Preto. Todos os esforços estavam montados para que o show fosse o máximo e depois disto, pude focar melhor na peça.
 
Aqui neste lugar não há rainha ou rei
Minha personagem se chamava Soraya, e era uma Mariah Carey suburbana do karaokê. Isto me fez buscar diversas inspirações para montá-la, entre elas: Roberta Veiga (e o povo da faculdade que ia dançar a coreografia d"O Animal que ronda"), Kelly Moraes, Pedro Raphael Paiva, o carinha que literalmente me cantou no karaokê e outras histórias lá vividas, Mariah Carey, Priscy, Rob "I'm peaking right now" Paravonian, Joelma do Calypso entre outras.
 
Tudo o que eu fizer eu vou tentar melhor do que já fiz
Dia 26 de outubro foi o Jogo de Cena, o já famoso Jogo de Cena de minhas epifanias, mas com um ponto diferente: um raio queimou o sistema de som logo após termos passado. Quando chegou a hora de repassar, já era hora de começar. Resultado: nosso som falhou, e eu falhei num vergonha alheia records mais gordelicious do que falaram da Priscy. O pessoal do Jogo de Cena foi esperto e não colocou nosso vídeo ao ar, que era o que eu mais temia.
 
Tam-tam-tam, batem na porta
A semana de apresentação não foi tão tensa quando a semana pré-Rent, embora as variações de temperatura fizeram com que quase todos começassem a gripar. Me enfiei de garrafadas e dorgas para me segurar e até meu professor de canto notou que minha voz estava diferente.
 
You are the dancing queen
A sexta-feira pré apresentação foi até tranquila, por ser 11/11/11. Ás 11:11 deste dia, rimos e comentamos de que o mundo não acabou. Aliás, quando dizem que o mundo vai acabar em dia de apresentação é sinal de que a apresentação vai ser muito boa, vide o Nosso Jeito. Saí do serviço e cheguei no Centro Cultural para repassar os últimos detalhes, testar o som, fazer o make e me concentrar. O vídeo dá pala uma hora antes de entrar, mas depois foi consertado. O mantra do teatro antes de entrar no palco ganhou versão César Ribeiro ("Eu sou o que sou e todos desfrutam disso!"), falado por mim e por Rafael Vieira, que já tinha sido destaque no RENT como Angel. No final, deu tudo certo e fomos comemorar no Subway comendo sanduíche com cream cheese.
 
I made it through the wilderness, somehow I made it through
No sábado, tive um ensaio que terminou quase no horário de outro ensaio que iria terminar depois do horário que eu estaria no Centro Cultural. Algumas mudanças foram feitas de sexta-feira que tornaram mais fácil o meu papel, mas que ficaram bem legais de ver. O diretor de cena Rafael Soul trouxe um DVD de karaoke para ficar passando enquanto o povo nos esperava, e nós no fundo ficávamos ouvindo e cantando "Vida, devolva minhas fantasias" e SandyJúnior. Apesar de havermos tido pouco tempo para make, aquecimento e passagem de som, a fonoaudióloga predestinada Ingrid Máximo (predestinada porque eu achei ela o máximo) fazia em cada um dos cantores uma massagem laríngea tirando todas as tensões do dia. E o pessoal do Laugi compareceu em peso neste dia, com o casal Carina Calheiros e Jairo Faria participando interativamente do nosso karaokê. E como todo último dia de espetáculo, sempre é muito mais relaxado do que o primeiro. E assim se encerrou mais um projeto feito este ano, que foi cheio dos projetos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

IT HAPPENED REALLY REALLY FAST

Quinta-feira finalmente saio de Brasília para cantar em outro estado. Tudo bem que é o meu, mas há sempre algo de mágico em levar aquilo que você gosta e faz bem para outras cidades. E no caso, Ribeirão Preto, no V Encontro de Coros Cênicos. Foi uma viagem longa, cansativa, e chegamos somente de madrugada no destino. Na manhã de sexta-feira tivemos uma palestra com Antônio Pantaneschi da Itália e mais tarde uma de expressão corporal com Celso Branco, do sensacional grupo Os Men The Sá, do Rio de Janeiro. À noite, o Coral Cênico Jovem Mackenzie, com suas belas e graciosas vozes, apresentaram o espetáculo "Adoniran e Noel - 100 anos".
Com tempo livre no sábado, aproveitamos para se preparar para o show, claro que sem perder antes a homenagem a Johann Sebastian Mastropiero do grupo Os Men The Sá, que arrancou risos da plateia ribeirãopretana. Arrumamos cena, velas, guarda-chuvas, concentramos e fomos. Foi muito emocionante se apresentar no Teatro Santarosa para aquela plateia qualificada, e para mim foi mais emocionante ver meus primos na plateia. Mas eu tive a sensação de que passou muito rápido, não sei porquê, acho que porque o palco me puxa de volta sempre.
O festival encerrou no domingo com a apresentação do Bossa Nossa que foi muito legal e deu o gás para que voltássemos felizes a Brasília.
P.S.: Agora canta como um elefante!!!

domingo, 25 de setembro de 2011

CHEGA DE SAUDADE!

Ontem foi mais um dia de secura brasiliense, mas antes que as nuvens começassem a aparecer, fui até o Setor Comercial Sul até chegar no SESC Sílvio Barbato. Cheguei lá e estávamos nos aquecendo para fazer mais uma apresentação. Me perdi no subir e descer de escadas até conseguirmos ensaiar perto do refeitório. Fomos nos arrumar, passar o som, passar as cadeiras, tudo pronto. Iríamos abrir para o BeBossa, um grupo vocal show de bola lá do Rio de Janeiro. Se esconde nas coxias, apresentação geral, uma palma de salvas para o pessoal. Entramos no palco, a cada dia eu me sinto mais íntima do palco, como se é exatamente isto que eu quero pra vida. Depois foi a vez do BeBossa preencher o ambiente com suas harmonias, suas vozes, seus beatbox. Encerrado, o BeBossa convidou a o grupo Laugi pro palco e cantamos juntos Chega de saudade. Recebemos elogios de gente tarimbada e tiramos várias fotos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

TUDO A FAZER É SALTAR SOBRE A LUA

"Tudo menos isto!" ou "Quem sabe outra vez vai ter, mas hoje não"
A história vem até de antes, quando em 2008 fui apresentada ao RENT. Nunca tinha feito nada de teatro na vida a não ser em grupos de jovens e na escola muito porcamente. Mas aquele musical tinha me tocado de alguma forma que eu queria fazê-lo, e ele estava nos planos de um grupo que eu estava participando na época. Mas em 2009 o grupo teve várias atividades que deram certo... menos esta.


"Lembro que tudo começou... Natal... do ano que passou"

Final de 2010, eu soube que teria esta audição. Já não estava tão crua, mas ainda estava totalmente cabaçada no quesito teatral. No começo daquele ano, tinha tentado sem sucesso entrar na Escola de Teatro Musical, e por fim acabei entrando no Laugi. Mas eu me lembrei principalmente de quando o grupo terminou e pensei: eu vou honrar esta bagaça. Fiz a audição despretensiosamente, pois sabia que iriam atuar pessoas que têm experiência monstro em teatro musical. Fiquei muito surpresa de ter visto meu nome lá entre as pessoas que passaram, e pensei: vou querer entrar de cabeça!

"Vai trabalhar? Mude a direção!" ou "Se este é o jogo, quero apostar"
Mas eu sabia que seria muito trabalho que eu teria, pois ao mesmo tempo que eu estaria ensaiando RENT, eu teria o show do Laugi. Eu ficava com muito medo dos ensaios coincidirem o horário, mas nos meses que se passaram, foram poucas as vezes que os ensaios aconteceram simultaneamente. O mais legal é que ambos se complementaram, pois o que eu aprendia em um, eu aplicava no outro e vice-versa.

"A quem conVIVE com, VIVE com, VIVE doente sem morrer..."
Diversas vezes durante este processo eu fui parar no hospital por doenças provavelmente relacionadas com estresse. Mas nada disso me fazia desanimar, e até mesmo me faziam refletir. A peça é intensa, e todo mundo que participou do processo acabava refletindo na vida em cada aula de teatro, canto e até mesmo em danças. Outras pessoas também pararam no hospital, ficaram sem voz, deram até o sangue para isto acontecer.

"Me aceite como eu sou, pois eu nasci assim"
E quando começaram a distribuir os papéis coadjuvantes, eu tentei pegar os que mais se aproximavam de minha vida real. Mas apesar dos papéis serem fortes e de terem vivências que às vezes a gente nunca sentiu (como os drogados e sem-teto), tudo era muito real. E um agradecimento à equipe que me aceitou apesar de eu nunca ter feito teatro antes e a última vez que eu tinha feito aula de dança até então foi há exatos quinze anos.

"Eu nunca vou subir num palco" ou "Ao amor certo, ao verso, a mais que um universo"
E aí começou a quebra de paradigmas. Posso dizer que minhas grandes inspirações para esta quebra de paradigmas (e para a construção dos personagens) foi o filme Cisne Negro, o filme Trainspotting, minha mãe, Britney Spears (sim, pessoas, minha construção é desconstrutiva!), Dilma Rousseff e a arte do carão.

"Não dá pra seguir tentando se as mudanças querem te levar pra longe daqui"
Tivemos muita gente boa que entrou e muita gente boa que saiu, por N motivos. Um deles partiu desta para uma melhor, no melhor sentido da palavra. O ator Mateus Ribeiro foi selecionado para fazer musical em São Paulo e vai estrear Cabaret em outubro com a "pirulona" Claudia Raia.

"A música está no ar e aquece a noite"
E chegou a semana final de ensaios e apresentações. Segunda ainda tive reunião no trabalho em hora de ensaio, mas foi algo mais técnico. Terça fomos no estúdio para ensaiar com a banda, e ensaio com a banda é outra coisa para quem estava acostumado com apenas um piano correpetindo. Quarta foi o Jogo de Cena, onde eu voltei ao palco que três meses antes eu tive minha epifania artística graças ao Thundercats. Quinta no ensaio geral eu estava morta por conta da la vie bohème, mas fizemos um ensaio final bastante produtivo.

"Eu sempre sonhei com algo tão forte assim"
Diferentemente da estreia do show Nosso Jeito, que foi num sábado e eu pude fazer toda a concentração, a estreia do RENT foi numa sexta-feira, com direito a reunião no trabalho, soldadinhos de chumbo, barra de chocolate do Gela e atravessar o deserto do Saara, quer dizer, andar na cidade a 12% de umidade relativa do ar (e meus conterrâneos reclamando de 25%) até chegar no teatro, correr atrás de ingressos, e depois preparar para atuar. Maquiagem, figurino separado (que eu levava em uma mala que meus colegas de trabalho achavam sempre que eu iria viajar). Fizemos um ritual de entrega muito significativo para todos nós, nos concentramos e merrrrrda (no sotaque brasiliense, que é mais legal do que o "merda" paulistano). Escondidos na coxia só ouvindo o burburinho das pessoas que entravam no local. Primeiro sinal, segundo, terceiro, foi! É uma emoção muito grande pisar em um palco em pleno dia do ator. E apesar de eu não ser atriz (muito menos cantriz), é bem diferente do que você entrar em um palco cantando com banda ou com grupo vocal. O sentimento de que "não sou eu no palco" permanece o mesmo. Mas é diferente porque você não está no palco o tempo todo, você tem que ir descer correndo ao camarim para trocar de roupa, e ainda beber muita água (e a tampinha de minha garrafa rolou pro desconhecido em pleno primeiro ato). E são várias facetas ao mesmo tempo: a revolucionária, a mãe judia, a soropositiva, a drogada, a boêmia, a que mede a vida em amor, a que faz "homenage", a que chora um ente que partiu, e por fim, a Maria Barrillari como vocês conhecem.

"Ter glória, servir de inspiração"
O sábado foi quase todo passado no teatro, sendo que tivemos sessões às 17h e às 21h. Cada uma com um elenco totalmente diferente. Engraçado como a gente vai se moldando a cada espetáculo. Por exemplo, vamos achando novas dicas para entrar no palco dependendo que quem é o elenco no dia (e para fazer cena de "pegação" sem derrubar o microfone da coleguinha, né dona Maria?). E desta vez, minha garrafa de água seguiu rumo ao desconhecido. O bom do teatro é a coletividade. Fiquei craque em passar base e fazer tranças nas pessoas, e amarrar biquinis, averiguar cachecóis e demaquilar pessoas em plena escuridão da coxia. Depois disto, saí para comemorar com uma parte do grupo Laugi que veio me assistir e saiu da peça com uma música grudada em suas cacholas: "Acende a minha velaaaaaa..."

"Um salto de fé"
Meu domingo começou com uma notícia triste, mas que tem muito a ver com o que a nossa preparadora vocal Thaís Uessugui nos disse do fato de RENT ser o fim de um ciclo. E a nossa concentração no teatro começou muito diferente. Apesar do clima de despedida, tentamos tirar rock n roll daquilo. Um dos melhores momentos disto foi a nossa passagem de som, quando o cantor e ator César Ribeiro passava seu headset, a banda começou a tocar "Livin' on a prayer" do Bon Jovi. Gabriel Estrela, Hudson Borges e eu assumimos os backing vocals, e as atrizes Isabella Andrade, Luísa Viotti e Micaela Tubaki ensaiavam a coreografia de Out Tonight que casou perfeitamente com a música tocada. A equipe de iluminação também entrou na brincadeira e aquilo pareceu show de rock. Com esta energia fizemos as duas sessões de domingo. Na primeira, meu gorro foi parar no desconhecido. Depois rolou a lenda de que Dulcina de Moraes habitava as dependências daquele teatro que leva seu nome. Conclusão: ela é o desconhecido do paradeiro.

"O que passou não vai mudar, melhor viver e aproveitar"
Entre as duas sessões, começou a rolar a emoção da despedida, pois aquilo que vivenciamos durante seis meses de ensaio estaria acabando naquele momento. Mateuzinho veio de São Paulo nos visitar e passar toda a energia que ele está recebendo em Cabaret. E assim começou a última sessão, onde logo na primeira música eu caí antes de entrar no palco, um sinal de Dulcina, claro, para que eu caia de cabeça na arte que me faz tanto bem. A energia nossa e a da plateia subia a cada cena. Quando cantamos Seasons of Love, eu comecei a me lembrar de tudo o que aconteceu durante o ano de 2011, e cantei com a maior gratidão que alguém pode ter. Fomos ovacionados durante esta música, e eu tenho certeza que tive minha segunda epifania artística neste momento. E foi assim até o final da peça. Ah, sem contar que quando cantamos I'll Cover You (reprise), as lágrimas de todos os atores/cantores eram mais que verdadeiras. E isto foi transmitido a todos os que assistiram à peça.

"Em cada lição que você aprendeu"
Terminando o RENT, ficou aquela sensação de dever cumprido e ao mesmo tempo de perda, pois aqueles ensaios já faziam parte de nossos cotidianos. Fomos comemorar na casa do Gabriel Estrela, onde assistimos uma gravação em vídeo do espetáculo e rimos, choramos, aplaudimos, vibramos a cada cena, a cada atuação, a cada música, a cada vitória que tivemos juntos. Porque o que fica do RENT é isto.



domingo, 12 de junho de 2011

LÁ E AQUI

Parecia São Paulo: frio, chuvoso e com trânsito, e eu com um inexplicável aperto no coração. E uma sensação de alívio, pois depois de meses de árduo trabalho eu iria tirar férias. Mas estava em Brasília, mais precisamente em direção ao Guará, onde tudo aconteceu. Uma maravilhosa notícia de vidas a caminho animou aquela noite. Entre sanduíches, batatas fritas e crianças birrentas, íamos nos preparando. Mas eu não sei andar no Guará, e este troço apitando aí é o sensor de... (carro morre) caralho! Voltamos correndo para nos trocarmos. E a blusinha do Barba? E a sapatilha? E a maquiagem? E o cabelo? E como vamos montar as cadeiras? Descemos e eu nem tinha colocado meu rímel. Arrumamos o espaço e subimos de novo. Terminando de fazer a maquiagem, todos nós nos reunimos em roda, e naquele momento eu percebi que o show tem que continuar. Não importa como você está fora do palco, aquilo fica fora do palco quando você entra. E com uma plateia maior do que esperávamos, descemos para a apresentação. A plateia já aplaudia antes mesmo da gente entrar. Entramos. A plateia aplaudia e acompanhava a cada música que a gente cantava. A sensação é de que o Guará era nosso. Uhul! Um "De novo!" exaltado subiu o ânimo das mulheres no palco e a gritaria histérica e as risadas animaram os homens no palco. E a plateia ia ao delírio de novo. Escrevendo assim nem parece, mas quando volta a sensação é emocionante. E o povo gritava nossos nomes entre comentários como "Viva Bob!". Ouvi até um "Maria, sua linda!" e aquele dia de fog brasiliense elevou nossas almas e espíritos.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O NOSSO JEITO, DO MEU JEITO

2011 chegou. Temporada de ensaios começa. Duas idas a SP marcadas. Janeiro com as últimas músicas novas. Hiperatividade. Primeira ida a SP ok. Primeiro ensaio da "maratona". Cisto. Engole seco e vai. Fevereiro. Ensaios de domingo. Ensaios de segunda. Nem toda a segunda. Ufa. Programa o carnaval. Estou fazendo o projeto, não posso ir ao karaokê. Reuniões em restaurantes chineses. Março. Ensaios de cena. Hei-hai-ho. Segunda ida a SP ok, mas não prevista previamente. Mudança de foco. Quase mudança de gestão. Meu joelho não aguenta. Abril. Pedra na vesícula. Operar de emergência? Não. Ufa. Terceira ida a SP ok. Correr atrás do prejuízo. Cadeiras. Cortes. Gravações. "Baixe a bola." Páscoa regada a lasanha de micro-ondas. Ensaios de sexta. Vou passar o aniversário ensaiando. Não vou mais. Ufa. Maio. Ensaios até às 23h. Tô veia pra sair de balada. Mais cortes. Silfos. Divulgação. Ensaios gerais. Idas ao Teatro. Trair o movimento e quase passar mal por isto. G7. "Vontade de chorar, vontade de morrer". Pontão. Pra longe perto do Paranoá. Semana final. Prova de figurino. Ensaio todos os dias. Medinho. Empolgação. Divulgação na UnB. Jogo de Cena. "Salma de palmas".  Emoção a flor da pele. Divulgação no Coro Sinfônico. Prova final de figurino. Ir ao Teatro com chuva e frio. Chuva? Em maio? Ensaio até meia-noite.
Sábado. Busca os pais... e a tia. Multa? Ensaio no Teatro. Passa luz. Volta pra casa pra tomar banho e almoçar. Volta pro Teatro. Cadê todo mundo? Passa microfones. 18h maqueia. Não vai dar tempo. Esgotaram os ingressos. Cadê a sacola dos acessórios? Achou. Ufa. Concentração, relaxamento. Primeiro sinal. Corrente pra frente. Segundo sinal. Se arruma pra coxia. Frio na barriga. Cinge os rins. Terceiro sinal. Paulão fala os oferecimentos. Abriu a cortina. Palmas. Entramos. Surpresas. Palmas. Risadas. Dani Baggio. Bravo! "coreografia do foguinho". Fim do primeiro ato. Show do intervalo. Se arruma rápido. Como assim já é a nossa hora? Mulheres no palco. Fiu-fiu! Homens no palco. Risadas. Se arruma rápido na coxia. Tosse. Bravo! Risadas e mais risadas. Fim. Bis. Acabou o primeiro dia. Passagem secreta. Cumprimentos no foyer. Recadinhos. Amanhã tem mais. Cadê a camiseta do Barba?
Domingo. Vou bater em alguém. Chega no Teatro. Passa som. Passa microfones e instrumentos. "Caí da bicicleta". Se arruma mais cedo. Cadê minha saia? Organização da maquiagem. Concentração, relaxamento e aquecimento. Minha voz não está saindo. Mais aquecimento. Pelamordedeus. Ufa. Primeiro sinal. Concentra energia. Kundalini. Segundo sinal. "Você está mais calma hoje". Terceiro sinal. Entramos. O show é o mesmo, mas não é o mesmo show. Gravação. Plateia empolgada. Dani Baggio quebra o protocolo. Adoro! Fim do primeiro ato. Show do intervalo. Brincadeiras na coxia. Segundo ato, mas já estamos a postos. Mulheres no palco. Gostosas! Homens no palco. Gostosa! Saíram as notas, ufa! Risadas e mais risadas. Fim. Bis. Emoção à tona. Uhul! Passagem pro foyer. Vamos pra pizzaria 1. Não, vamos pra pizzaria 2. E na noite mais fria do ano, recebemos uma plateia calorosa e comemoramos do nosso jeito o sucesso do Nosso Jeito, e o começo de uma longa história. E o show <b>tem</b> que continuar!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

SUBO NESTE PALCO...

O momento de entrar no palco é um ritual sagrado que flui do espírito do artista para a plateia. Parece que toda a mente fica parada num plano de tempo e espaço onde nenhum homem jamais alcançou.
Ao por os pés no palco, eu não sou mais eu. Eu sou passista, cantora, atriz, boneca, marionete, o que eu quiser. A gente se transforma e a plateia mergulha na mesma sensação. Acreditem, uma salva de palmas tem o poder de elevar o palco, os artistas e os sentidos aos céus. E quando você está lá e sente uma vibração nunca antes sentida, não é porque o palco te dominou, mas é porque você dominou o palco.
Quando estou no palco, nem parece que foram necessárias horas em demasia de ensaios, dormindo tarde e acordando cedo. O poder que o palco te dá transforma tudo isto em algo natural, orgânico, que vem de você e passa pela plateia. É inebriante, é um prazer prolongado que nenhuma pessoa, objeto ou lugar pode te oferecer. É a minha escolha, é o meu lugar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

À NOITE, O FRIO É QUENTE E ARDE

Estava demorando para falar do show do ano, quer dizer, depois de Guns'n'Roses, Smashing Pumpkins, Cramberries, Maria Gadu...
Eu só não falei antes porque tiveram N compromissos, e ainda terei N mais. Animais?
Festa das Nações 2010. Bem, dia 28/08 pudemos assistir a um sensacional show da banda Onagis com direito ao já ovacionado drumbone do Blue Man Group, seus sucessos como "Outros sonhos voadores" e "O que vou ser quando crescer", e versões hardcore de Fada, I want it that way e Bad Romance (os vídeos não são da banda).
Depois disso, seria o show da Banda Ahjaray. Formada em 2003 com o nome de Guarda do Conde, a banda passou por diversas transformações até chegar ao seu perfil atual. Curiosidade: tivemos na formação da banda para este show o baixista Daniel, sobrinho do famigerado cantor Beto Júnior.
O ensaio foi de manhã e na volta dele descobri que não sabia mais andar de ônibus em São Paulo.
Mas vamos às músicas, com uma novidade: Você que perdeu o show pode conferir os vídeos no Youtube e aqui no blog. Chequerau!


1) Meteoro: A primeira música, escolhida por estar super na moda no circuito Brasília-SP-Americana. Numa versão mais pesada que a sertaneja (com base na da banda Hevo 84). Tirem seus preconceitos com o sertanejo universitário atual colorido e escutem!


2) Evidências: já utilizada de forma mais sertaneja na Galinhada. Kenji, não levanta! Botaram o peso necessário para não ficar tão sertaneja quanto a versão de 2009. Tira o pé do chão e vai!


3) Quando um certo alguém: Coincidentemente eu estava cantando esta música nas apresentações do Laugi durante a semana. Então foi uma semana bem "Melhor não resistir e se entregar". Versões bem diferentes umas das outras, mas sempre lembrando a original do Lulu Santos, porque o cara merece! Yuji faz graça com a plateia porque o refletor aquecia as pessoas do palco, enquanto o pessoal de baixo passava frio (mas nada que se compare a 2008).


4) Lanterna dos afogados: A gente em cima não tem a menor noção se o povo está ouvindo direito ou não. Porque a gente tem nosso retorno e olhe lá. Começo tentando fazer um trompete humano meio #fail, mas a música segue com uma pegada mais pesada e acelerada que a original.




5) Hot n'Cold: esta é a música que eu fiz participação especial. Já tinha sido traída pela falta de retorno em 2008, mas este consegui lidar. E até que ficou bom. Destaque para o operador de áudio dando uma de oftalmologista perguntando: "Agora tá bom?" e a gente "cê tá me ouvindo?" Detalhe: era um evento de igreja e eu não ia mencionar "Like a bitch". Destaque da bateria do Miltinho fazendo esta batida. E no final falei meu twitter, alguém entendeu?


6) Mulher de fases: tentativa de fazer ceninha com a música #fail. Mas o melhor é que graças à posição da câmera deu meio que certo. Pior que o Yuji tinha falado antes "o que nós homens pensamos".


7) Wherever you will go: Revisitando 2003. A versão ficou no andamento original e ficou melhor que a de 2003. Detalhe quando chega 1:25 a câmera se aproxima do baterista que aproveita e faz carões.


8) I'm yours: a minha favorita, tanto para ensaiar quanto para tocar. Ficou show de bola! P.S.: Que novela foi?


9) Y.M.C.A.: Assim como o Yuji, esta eu também não recomendo. Mas tem um destaque: começaram a soltar fogos a 1:25, e você escuta o barulho do morteiro.


10) Smooth: Hora do Fábio mostrar a que veio. Eu tentei imprimir uma percussão corporal latina, mas ficou meio latrina e desisti. Apresentação dos membros da banda. A 1:21 soltam mais fogos. Feliz ano novo! Soltam mais quando apresentam o Daniel, e às 2:40. A 3:14, Miltinho consegue quebrar o recorde do Felipe Beirão no show do ano passado e derruba dois pratos de uma vez. E o povo pede "Mais um! Mais um!" Não tem mais um, o locutor encerra o show.

terça-feira, 28 de abril de 2009

10 ANOS DE GRUPO SINAI ou GUARDA DO CONDE

Estava devendo este texto desde que a banda completou 5 anos.
Queria falar um pouco da apresentação que fizemos em Bom Jesus dos Perdões em umas bodas de 43 anos de casados. A data: 14 de julho de 2001, aniversário da queda da bastilha, um verdadeiro liberté, egalité e betojuniê.
Poxa, faz 8 anos, você ainda se lembra de tudo? Não exatamente, mas tenho registrado em vídeo. Mas vamos aos ensaios. Ensaiamos as músicas sertanejas normais e também as compostas pelo próprio Beto Júnior. Seu pai Osvaldo também iria cantar, afinal ele era do Programa Banco Real de Talentos da Maturidade. Ele ensaiou "Negue", "Senhora" e sua música preferida, "Vaqueiro do Oeste", mais conhecida pelo seu refrão yodel (ou melhor, "Tira-o-le-IIII-te"). Mas Beto Júnior nunca deixou o pai Oswaldo chegar até o refrão.
Bem, enfim, vamos ao show.
Flávio não pôde por algum motivo, portanto veio Alexandre, baterista amigo deles para ensaiar com a gente. Também estavam o Pedro, o Beto Júnior, a Regina Júnior, o Beto Pai, o Leandro, eu e o Victor Dariano. Acontece que este perdeu a hora e acabou perdendo o ônibus para Bom Jesus dos Perdões. Teve a missa de princípio e depois um churrasco animado por Beto Júnior e banda.
Cantamos "Entre tapas e beijos", "Pensando nela" (aquela que eu queria que Beto Júnior gravasse em CD), "Agora reconheço", "Festa de rodeio", "É o amor", "Pense em mim", "Eu juro", "Deu medo", "Amor distante" ainda no ritmo lento, "Eu vou te amar", "Não aprendi a dizer adeus" e num momento especial em que o filho do casal se declarava à Juliane, Beto Júnior modificou "Como é grande meu amor por você". (morro de vontade de colocar esta no iutube, mas fico com vergonha por causa do casal, nem sei se eles estão ainda juntos pois aparecem bastante)
Ele cantou outras músicas, mas o rapazinho que filmava acabou desistindo de registrar outros momentos. Mas acordou a tempo de ouvir Beto Pai cantando "Senhora". Ele também cantou "Negue", mas não cantou "Vaqueiro D'Oeste". Que pena, perdemos a maior demonstração de yodel de Bom Jesus dos Perdões, quiçá do estado.
Se vocês quiserem, eu vou colocando aos pouquinhos estes vídeos no iutubiu

sábado, 30 de agosto de 2008

GUARDA(s) DO CONDE NA FESTA DAS NAÇÕES - HEY NOW, YOU'RE A ROCK STAR!

Depois de tudo isso, finalmente os relatos do show do ano!
An older version of me
Pelo fato de algumas canções serem repetidas do Valvulada, este show pode ser chamado também de Valvulada + 5.
Do you have the time to listen to me whine?
Antes soubemos que para podermos tocar no sábado e liberar nosso guitarrista Fábio e nossa tecladista Bá Hashimoto para o Enem e me liberar para Brasília, teríamos disponível somente o horário das 14h. Tentamos às 16, mas não deu certo. O esquema era fazer lotar nosso horário para mostrarmos que somos bons.
Una poca de gracia pa mi pa ti
De manhã fizemos o ensaio no estúdio-casa-da-vó-do-Miltinho. O baterista chegou depois pois estava vindo de Americana. Deixamos todas as coisas em ordem certinho e seguimos para comer o McDia Feliz no Valadão.
Hey, ho, let's go - Blitzkrieg Bop
Como já eram 13:30, saímos em disparada com o Valadão até chegar no local. Dei uma de Felipe Massa, deixei a trupe e achei lugar para vir correndo até que...
Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um destino
... não seríamos nós a entrar aquela hora. Como deve ter atrasado, a dupla sertaneja Diego & Henrique tocavam lá. Como não tinham bateria, Miltinho foi arrumar a dele. E nunca na história das apresentações da Guarda do Conde a bateria esteve tão... inteira!
200 degrees, that's why they call me Mr. Fahrenheit
E o tempo não ajudou. A frente fria vinda da Argentina que só aparece quando eu venho pra São Paulo estava presente e abaixou a temperatura. A dupla sertaneja reclamava do frio que fez até com que as cordas dos seus violões estourassem. E além de frio, começou uma garoa bem na hora que a gente foi tocar. Eu tinha vindo com um lookzinho, tive que pensar em outro, e na hora final, me encapotei mesmo!
Será que nada vai acontecer?
E o tempo passava e a dupla sertaneja estava mostrando suas músicas de autoria. Não sabíamos se entrávamos ou saíamos do backstage. Mas foi bom que deu tempo de chegar todo mundo. Bem, quase. Termina o show, e o locutor começa a nos anunciar: "Daqui a pouco, Guardas do Conde!" É Guarda!!!!! No singular!!!!
Here we are now, entertain us!
Após uma hora, começa o nosso show. Nunca na história desta banda o show foi gravado em High Definition (Como a high definition foi implementada em dezembro de 2007, a Festa das Nações do ano passado não chegou ainda ao ponto). E onde entra a formatura? Porque damos um passeio pelo mundo do rock'n'roll, que é o nosso estilo em comum. A diferença é que no final não tem neguinho dançando axé, créu e/ou dança do quadrado com a gravata na cabeça
Let's rock, everybody let's rock
Confira comigo o nosso "7 Least" (como diriam os Onagis)
Jailhouse Rock: A primeira música só tem uma parte. Em vez de tocarmos 10 músicas de 4 minutos cada, tocaríamos 20 músicas de 2 minutos em média. Quem cantou esta foi o Yuji.
Twist and Shout: Porque quase todos os anos tivemos uma musiquinha dos Beatles. Kenji cantou esta com backings meus e do Yuji. Akira começa a dançar.
La Bamba: Quem cantou foi o Yuji. Iria ser a continuação, já que "La Bamba" e "Twist and shout" têm os mesmos acordes, mas ficou num tom alto para o Yuji. Baixamos e seguimos. Marcão que estava filmando quis tentar fazer a dança da caravela no meu vídeo.
Satisfaction: Porque era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones. Quem cantou foi o Kenji. Os três da "linha de frente" estavam usando chapéu e não foi combinado (pelo menos eu não combinei, só vim assim porque estava frio)
Amolda o Bicho na Parede (Parte 2): Para quem não sabe, esse é o nome verdadeiro da (a)versão de "Atirei o Pau no Gato" de Falcão. Nesta todos cantaram. A platéia toda canta, tira fotos, Dri filma também em High Definition. Cantar um instrumento é simples, o problema é tocar sem instrumento. Ficava fazendo "air guitar" toda hora por não ter onde colocar a mão.
Born to be wild: Como em 2003, Kenji cantou esta música. Ele trazia a Winchester 22, e o backing das meninas eu que fiz. A guitarra poser ficou por conta do Valtinho, e a guitarra classuda por conta do Fábio.
Don't stop me now: Como diriam Benê e Berta, "Complicado esses menino, né?" Bá fez a introdução desta música do Queen (por isso os marmanjões sabiam) e regravada pelo McFly (por isso as meninotas sabiam). Yuji cantou e eu e o Kenji fizemos o backing. Valtinho manda um solão no refrão.
Rock and roll all nite: Só não é "all nite" porque era de tarde. Kenji cantou esta música que teve direito à momento mãozinhas levantadas à "I believe in a thing called love". Todos, com exceção do Miltinho, fizeram este momento. Até o Marcão cantou junto.
Enter Sandman: Por que o melhor álbum dos Beatles é o "Álbum branco" e o pior do Metallica é o "Álbum Preto"? Yuji cantou esta música que tinha sido trocada de última hora (ia ser tocada "Whiskey in the jar", mas esta tem o riff mais legal.
Blitzkrieg Bop: Momento surpresa do show. Como as músicas punk são fáceis e podem ser tocadas por qualquer um, provamos isso por A + B. Como? Enquanto Kenji cantava "Hey ho, let's go", Miltinho foi tocar baixo, Fábio pra bateria, Bá para uma guitarra, Yuji para outra, Victão para o vocal e eu e o Valtinho rachamos o teclado.*
Sweet child of mine: Momento 15 minutos/poser/whatever. Fábio fazia todo o nipe da guitarra do Slash, eu fazia todo o poser do Axl, Yuji fazia os "iai", Victão e Valtinho faziam todo o poser de um tocar o instrumento do outro *UI!*, e o Kenji fazia a parte Sílvio Santos imitando-o e gritando: "Vai pro refrão, Fiabo!" para nosso guitarrista Fábio. Foi a primeira (e talvez única) música a tocarmos inteira.
Smells like teen spirit: Um acidente de percurso. Eu tinha jogado bola ontem e hoje acordei com o ombro esquerdo doendo. Na vinda, sentei na janelinha da direita mesmo assim. Pois quando começamos a tocar esta música, todos pularam (menos o Fábio e a Bá) e eu desloquei meu ombro. Mas segui cantando, mas não com o mesmo pular de antes.
Será: Será que deslocou mesmo? Kenji cantou esta música, enquanto eu me alongava pois estava sentindo o ombro esquerdo.
Óculos: Bá fez a introdução. Yuji cantou esta música de óculos, Kenji punha e tirava os óculos conforme a música, eu cantei sem óculos. Victão e Bá tocaram com óculos, e Valtinho, Fábio e Miltinho tocaram sem.
Chopis centis: Kenji cantou esta música, com direito a no refrão a gente gritar "Bem forte, bem forte!". O pai do Fábio também estava presente filmando em High Definition.
Do seu lado: Após uma pequena introdução de Basket Case e um "láááááá" fora de hora meu, começamos a cantar esta música. Com a nossa famosa harmonia que nos fez famoso (ai, doeu). Falando em doeu, ainda estava "reclamando" do meu ombro esquerdo.
Basket case: A última música a tocarmos inteira. E também a última do Kenji, já que ele iria tocar com os Onagis no Mendel. Se o show começasse no horário, ele teria ficado até o final.
You oughta know: Como em 2003, eu cantei esta música, em um ritmo mais normal do que o tocado naquela ocasião. Finalmente tirei o microfone do pedestal e isso não causou microfonia. Estou aprendendo...
Last nite: Sequência da entrada: Valter + Miltinho + Fábio + Victão + Bá + Yuji cantando. Aproveitei para tirar fotos da banda. Moby já fez isso, por que não eu?
All star: Sucesso do Onagis no ano passado, Yuji cantou esta música, já que Kenji já tinha ido embora. Yuji ainda diz: "Se eu enrolar a letra, desculpa". Como diriam Benê e Berta, "é complicado". Mas saiu certinho. É a hora de apresentar a banda, com cada um fazendo o seu solo. Como quem ia apresentar o Yuji era o Kenji, quem se enrolou fui eu na hora de apresentá-lo.
I can't get no satisfaction
Depois do show, fomos ver com o pessoal. Fomos elogiados pela banda seguinte que ia tocar, mas os rapazes achavam que os moleques da banda estavam de olho na Bá. Caique já estava de baixo pedindo para aumentar o volume, pois não se escutava muita coisa. E eu mesma estou achando difícil de me escutar. Agora que não toco (imagina se eu pulasse daquele jeito tocando instrumento), preciso aprender a usar o método Milionário & Zé Rico de se escutar. 2009 na área? Quero sim!
* Apesar de "Sweet child" ser a primeira música oficialmente inteira, "Blitzkrieg bop" é tão curta e rápida que tocamos tudo.

sábado, 1 de setembro de 2007

JP2 NA FESTA DAS NAÇÕES 2007 - ME DÊ DE PRESENTE O SEU BIS

Ok, demorei para contar sobre o show do ano (atrás apenas do Velvet Revolver + Aerosmith), mas agora começarei a contar para vocês.
Mas se quer saber se eu quero outra vida?
No sábado, começaram os preparativos para a noite de domingo. Passei pela rua do show e descobri que iríamos, pela primeira vez em quatro anos, ter um palco de verdade, coisa que só o JP2 teve no ano passado em seu show na paróquia do Danilo.
Parece que foi ensaiado
Fizemos o nosso ensaio, sem André e Victão. Neste ensaio, definimos por cortar algumas músicas por causa do tempo. Cortamos "Listen to the music", "A letra A" e "Toda forma de amor", escolhidas respectivamente por André, Valtinho e Miltinho. Depois, seguimos para a Festa das Nações onde a banda Onagis, composta pelo Kenji, Chio e Gregory, iria tocar na tarde. Na verdade eles seriam nossos infiltrados para saberem as condições do palco que a gente iria tocar na noite seguinte. O show dele foi bom, eles entraram com "Help" (já vi esse filme...), cantaram músicas próprias (inclusive "Helena", seu sucesso anti-heróico) e cantaram até em japonês.
One and one and one is three
Por causa de Kenji, descobrimos algumas coisas. A primeira, só teríamos três microfones. Miltinho deveria levar o seu microfone roupa-nova. E os três guitarristas deveriam revezar, pois só teriam espaço para dois amplificadores. No domingo de manhã, dividimos as músicas que cada um iria participar, com uma novidade: levaríamos um pandeirinho meia-lua, pois seria necessário em algumas músicas.
Que o dia termine bem
À tarde, fomos fazer o nosso último ensaio, já divididos os guitarristas e já com a ordem das músicas estabelecidas. Terminamos de ensaiar "Easy lover", escolhida pelo André, e "Come together", escolhida pelo Victão. Acertamos os últimos detalhes e fomos em direção ao local.
Procurando vaga, uma hora aqui, a outra ali
Estacionei uma quadra depois, quando Yuji e Carol me indicaram uma vaga mais perto. Paramos o carro e entramos. Enquanto aguardávamos os outros integrantes da banda, eu, André, Yuji e Carol assistíamos a um show de reggae. Uma outra novidade: Enquanto no Valvulada e FestFarma nós abríamos a noite, na Festa das Nações nós iríamos é fechar. Aos poucos, Valtinho e Victão foram chegando e quando a bateria da escola de samba Unidos de Vila Maria (sucesso neste carnaval) foi entrando e tocando seu som, nós fomos subindo e montando os instrumentos. E nada de Miltinho. Subimos, montamos nossas coisas enquanto rolava em baixo um bumbum paticumdum prurugundum. Miltinho chegou e um detalhe: esqueceu o timbau. Tradição nossa de baterista tocar sem algo (Em 2003, não tinha pedal de bumbo, em 2004, não tinha caixa). E os cabos não saíam som. Foram regulando os microfones. Eu fazia alguns acordes na guitarra junto com o ritmo do skindô skindô.
If there's music in the night, and it's really really right
Quando a bateria da escola de samba estava lá, tinha muita gente. Depois, foi todo mundo saindo e ficou só o nosso seleto grupinho para assistir. Bem, depois das passistas pararem de sambar, depois de eu ter deixado a minha câmera com Danilo (e a pilha acabar justo na hora), recém chegado do Enem, de anotarmos a set list e de colocar a letra de "come together" em um suporte (afinal, não tínhamos decorado), e no meio dos siriris que desfilavam sobre o palco, começamos o show. Fomos anunciados como JP2, afinal é a parte como um todo. Veja abaixo as músicas:
Pro dia nascer feliz: Representando o FestFarma 2005, aquele que foi sem nunca ter sido. Escolhida por Miltinho, tocada e cantada por ele. Desde que ele começou a tocar com a gente, ele sempre queria cantar. E agora o fez. E ele canta bonitinho. Deu o ar rock necessário à música.
Come together: Escolhida por Victão, que junto comigo cantou e não decorou a letra. Colocamos ela no pedestal e ficamos olhando. Tentei disfarçar com um "Vamulá, gentchííííí!", mas acho que perceberam que eu não sabia. Victão, como estava no baixo, disfarçou melhor que eu.
How you remind me: Escolhida por Victão. Yuji apresentou a gente contando um pouquinho da nossa história e que como éramos em sete, cada um tem o seu próprio estilo. Meu primeiro acorde saiu tosco, e tivemos que começar de novo. Minha alça do sutiã caía toda hora. Miltinho e Victão fizeram os backings como fazem no Inside Inc. para o Barbosa. E eu auxiliando também.
This love: Escolhida por mim. Peguei o microfone e me soltei. Me soltei tanto que de vez em quando saiam umas microfonias. Yuji e Bárbara faziam os backings, puxados também por Miltinho. Depois dessa música, o cara do som chiou e pediu para o Yuji me falar para não tirar mais o microfone do pedestal.
Easy lover: Escolhida pelo André. Eu, como filha do fã número 1 do Phil Collins, fui até o fim com ela. Nesta música, André fez o papel do "tio Felipe", e eu e a Bárbara os backings que no show ficam fazendo sua dancinha esquisita. É claro que nós duas não fizemos dancinhas esquisitas. Este papel da dancinha foi exercido depois pelo Kenji, Akira e Xuão, que passavam em frente às câmeras fazendo a tradicional dança do índio Chiquinha.
Equalize: Escolhida pelo Valtinho, representando a continuação do legado FestFarma 2004. Como Bruninha que havia cantado esta música outra vez estava lá embaixo, dediquei a música a ela. O pessoal todo cantava junto.
Sonífera ilha: Escolhida pela Bárbara. Para quem não se lembra, era uma das músicas da minha famosa enquete fraudada. Valtinho fez o solo de guitarra e eu fiz o backing. Bárbara está cantando a cada dia melhor.
Simples desejo: Escolhida por mim. "Um pouco de MPB", como eu mesma disse. Nessa hora, a bateria da filmadora do meu pai falha e ele tem que colocar outra. Fizemos uma versão similar a feita ao vivo, e ganhava peso na bateria nas horas certas. Yuji e Bárbara fizeram os backings. Ficou bacana.
Eu te devoro: Escolhida pelo Yuji. Ao contrário do que fizemos no ensaio, desmembramos as duas músicas. Elas ficaram melhores soltas. De novo esqueci de aumentar o volume da guitarra no começo. Nesta música, André e Bárbara, que estava tocando o pandeirinho meia-lua, ensaiaram algumas coreografias e o Akira representava lá embaixo fazendo também.
Mind trick: Escolhida pelo Yuji para encerrar o show. Essa música caiu muito bem na voz do Yuji. Eu, a Bárbara e o Miltinho fazíamos os "nanana"s da música. Mas, se vocês pensam que acabou...
Bonus track: Puxados em coro pelo Marcão, o pessoal começou a gritar: "Tua família! Tua família!". E enquanto o cara do som não tirava a gente de lá, nós todos tocamos e cantamos junto com eles "Tua família".
Are we having fun yet?
Depois de terminado o show, só havia mais uma banda para se apresentar. Cada um foi curtir a festa das nações. Kenji nos mostrou um pedacinho do show gravado por ele. Miltinho carregava de um lado pro outro as peças de sua bateria. Caíque comenta que uma das pessoas da banda está lendo a letra da música. Eu e o Victão não poderíamos comentar disso. E, como o Valtinho disse, "Festa das Nações" tem todo o ano. Que venha então 2008!

sábado, 6 de novembro de 2004

V FEST FARMA 2004: MENOS QUE DEVIA, MAIS DO QUE MERECIA?

Primeiro era vertigem
Os preparativos de força maior começaram na quinta-feira, quando o André recebeu uma ligação do CA dizendo que "Djavan é legal, mas vocês vão tocar num bar de rock". A nossa melhor música até então tinha acabado de ser descartada! Foi aí que o André teve idéia de última hora de colocar "Casa", do Lulu Santos, pra encerrar o show ("eu tô voltando pra casa!").
Na própria quinta, a gente marcou ensaio no estúdio, mas se esqueceu de avisar o dono do estúdio. Mas seguimos pra casa do Yuji onde a gente passou todas as músicas e em especial a "Could it be any harder" e a "Casa".
E por você eu largo tudo
O mesmo André ligou ontem para a gente chegar mais cedo, às 21, para passar o som. Ligamos para a banda inteira. Quando o André chegou em casa, veio com uma notícia chata: Mariana, que estava se desenvolvendo bem e cantando lindamente, não poderia vir pois estava passando mal. E agora, o que faremos com "Exagerado"? Não tocaríamos ou racharíamos eu e a Bárbara? No Valadão, a Bruninha, o André, a Bárbara e eu decidimos cantar o "Exagerado". Mas o Flávio parou porque a gente não estava lá tocando tão bem essa música.
And all the roads we have to walk are winding
Chegamos às 21:15, depois de um rolé estressante pelas contramãos do Bexiga até achar o comecinho da 13 de Maio. Junto chegou Valtinho, e logo após, Flávio e Júlia. O Victor, como estava em aula, deixou o celular desligado e só depois que conseguiu falar com o Valtinho, porque iriam juntos. Só ligou pro Valtinho, que já estava no Bar e chegou umas 21:30. Mas às 22h, nada de Kenji, Yuji, e guitarra do Valtinho. E agora? Quinze minutos depois, eles chegam com a guitarra e prontos para arrumar o som no palco. Que palco? Veja!
Não há nada de novo, ainda somos iguais
Desde que fui informada que faríamos o show no Café Aurora, pensei logo naquele palcão da entrada. Falei pra todo mundo que era palco de verdade que a gente iria tocar. As mãos congelavam, as barrigas tremiam enquanto estávamos no Valadão. Assim que chegamos lá, vimos o palcão e o cara do CA mandou a gente descer a escada. Vamos deixar os instrumentos lá, pensei, ou deve ter uma passagem pro palco. Nada disso.
Lá embaixo ficava o palquinho que a gente iria tocar, uma espécie de Palco Brasil do Fest Farma (o "Palco Mundo" era o de cima). Clima bem hardcore que realmente não combinava com Djavan, ainda mais misturado com George Michael.
Não tem explicação, não tem, não tem
Lá tinha um cheiro de poeira e mofo, e os retornos eram de mil-novecentos-e-bolinha. Tinha máquina de gelo seco, que se alguém ligasse, morria. E a bateria não tinha caixa. Flávio se virou tocando nas outras caixas. E o meu cabo e o do André estavam com problemas, não poderiam ser pisados nem a pau. Mas assim, prosseguimos o nosso show.
Are you ready, hey, are you ready for this?
Tudo pronto, começou o show. André era o nosso mestre-de-cerimônias, apresentando a gente. Um pouco de cada música:
Wonderwall: A primeira música é sempre um alívio. Ainda mais quando representava a continuação do legado Valvulada 2003. Numa versão ainda melhor que a tocada ao vivo ano passado, porque eu pude fazer o que eu queria ano passado.
Minority: Hora de ser punk em um lugar bem punk. Kenji cantou a música e Yuji fez os backings ensaiando fazer uma coreografia que combinava com o ritmo da música. Destaque para a bateria forte do Flávio.
Another one bites the dust: A marcação do baixo do Victor e meu ar poser (mesmo estando sem aquela camiseta) foram destaque. Enquanto eu cantava na posição Bruce-Dickinson-fear-of-the-dark, André e Valtinho mostravam o swing de suas guitarras. Teve um semi-momento "I believe in a thing called love" onde todos batiam palmas no palco.
Equalize: a estréia de Bruninha, que já se soltou e entrou no clima da música. Valtinho fez o riff original da música e nessa hora alguns casaisinhos na platéia começavam a aflorar.
Could it be any harder: Ficou uma versão acústica, acústica com guitarras. Mas o fato foi que Flávio e Victor descansaram. Yuji pegou a minha guitarra, tocou junto com Valtinho e eu fiz os backings junto com Bruninha. A música ficou bem Savage Garden.
O segundo sol: Hora das três guitarras funcionarem. Bárbara soltou a voz enquanto casaisinhos se beijavam na platéia. Eu fiz o riff característico dessa música.
Meu erro: Yuji e Bruninha dividiram os vocais. Eu aproveitei que não toquei para tirar fotos. Destaque para as paradinhas certeiras na bateria e a guitarra ska do Valtinho.
Super Duper love: Bárbara e Bruninha faziam os backings enquanto eu mostrava o meu talêntio para o público. Foi uma versão correta e bacana. Até eu gostei mais ao vivo que gravado. (detalhe, ainda não tenho o CD)
Casa: Para encerrar com chave de ouro a música que a gente ensaiou em um dia (não é "Nem um dia", é "em um dia"). E não é que saiu boa? André cantou e se soltou bem mais, e ainda deu espaço para o Victor fazer solo de baixo. Encerramos o show aos gritos de "Aê, bixo!!!" e "Toca Raul!!!"
In the presence of all my friends
Acabou o show, e a gente da banda tinha direito a open bar. Mas o open bar era somente cerveja e caipirinha. Como eu tinha um Valadão a zelar, fiquei na seca. Flávio, Júlia, Victor e Bárbara ficaram pra ver os próximos shows. A segunda banda era boa, mas os outros foram embora, com a certeza de um dever cumprido, mas que esperávamos mais, esperávamos, porque somos pretensiosos e queremos cantar em 2005 "Bohemian Rhapsody".

Moral da história: "Em todos esses anos nessa indústria vital, é a segunda vez que isso me acontece."

sábado, 20 de setembro de 2003

FOI!!!! ACABOU!!!! O SHOW DO ANO E O SHOW MAIS PRETENSIOSO DO ANO!!!

A GUARDA DO CONDE NA POLI
Música, letra e dança
Chegamos lá às cinco horas, quando o último carro chegou e eu, o Victor, o André e o Henrique já estávamos lá. Fomos reconhecer o palco: um palco baixo, de uma altura de mais ou menos um degrau, com a bateria levantada para o baterista e o som aparecerem. Tinham canhões de luzes com celofane colorido para dar um efeito Coldplay no show (com direito a luz verde e tudo). Tinha um amplificador Marshall, repeat, MARSHALL, e eu fiquei com ele, enquanto o André usou um Fender, repeat, FENDER, e o Victor um de baixo que não lembro o nome. A bateria era Pearl, repeat, PEARL! Mas vocês pensam que foi fácil a nossa empreitada rumo ao sucesso?
Errando enquanto o tempo me deixar
O show que era para começar as 18:00, foi adiado devido a uns tramites burocráticos. Às 18:30, nossa banda já entra no palco para afinar os instrumentos e acertar os microfones. Problema 1: tinham apenas 4 canais de som e 7 vocalistas e microfones. Demos um jeito. Problema 2: minha guitarra não saía som. Na verdade, eu tinha colocado no plug da pedaleira (porque ESTAVA com a pedaleira). Problema 3: o cabo do baixo do Victor estava dando problemas, mas descobriram que não era o cabo, e sim, o plug do baixo dele. Contornado. Problema 4: NÃO tinha pedal de bumbo. Como um baterista ia tocar sem pedal de bumbo? Foi isso que atrasou uma meia hora a nossa entrada triunfal, mas depois eles conseguiram contornar.
Yeah, man, we're gonna make it happen
Problemas resolvidos, instrumentos afinados, microfones colocados (correias presas), vamos ao show. Como eu já vi porque a mãe do Henrique Yuji e do Felipe Kenji filmou, farei um breve review.
Help: A primeira música é sempre um alívio. Melhor que a do CD original, melhor do que a versão que eu toquei em 1999.
Born to be wild: Essa foi com o Kenji cantando. Atitude rock'n'roll dele e atitude poser com a minha camiseta POSER aparecendo bem. Errei uma parte, mas eu vivo prestando atenção no erro depois que assisto. No final teve uma homenagem do Fã-Clube da Bárbara, que veio especialmente ao show dela. Teve um backing das meninas muito fofinho que eu ensaiei com elas com todo o carinho.
California Dreaming: Com o André colocando sua personalidade e o backing bem colocado das meninas, nossa terceira música foi acelerando para o povo acelerar mais ainda. Faço um solinho de guitarra meio tosquinho nessa música, mas é minha criatividade.
Full gás: Nessa música, Victor apoiou o pé no amplificador e mostrou o seu talento, enquanto André cantava a música que encantou a gregos e troianos.
You oughta know: Enfim, o meu debut somente cantando. Tive que trocar de microfone, porque estava baixo. O instrumental acelerado estava excelente. Felipe Kenji tocou guitarra no meu lugar e botou peso. Victor fez uns slaps que ficaram animais. E eu cantando, saiu bom, até eu achei que saiu bom. Mas... aguardem depois.
All the small things: Felipe Kenji nessa vez no baixo. Eu meti uma guitarrinha Strokes, que ficou bacana e teve o backing do Henrique Yuji.
Nada sei: O fã-clube da Bárbara veio abaixo mostrando suas placas "Bárbara, eu te amo" nessa hora. Saiu melhor que a do CD original, correta, e em sincronia.
Wonderwall: Henrique e Bárbara cantaram essa música, mas como a gente ensaiou pouco não deu para fazer o que eu queria, mas deu certo. Eu queria fazer "o" solinho melhor que Noel Gallagher. A música dos irmãos Gallagher saiu na banda dos irmãos Dariano, Batista e Yamauchi, uma versão até que boa.
Wherever you will go: A gente estava com medo de tocar essa música porque só tinha homem lá, pouquíssimas mulheres. Mas conseguimos fazendo uma versão melhor que a do CD (e meu solinho ainda saiu melhor que antes) e encerrando o show com chave de ouro.
on such a winter day
Depois disso, descansamos e tivemos direito a uns refrigerantes grátis (nosso cachê). A gente ficou para ver o próximo show que tinha, da Alanis cover. Pra quê? Concorrência desleal para comigo. Ela arrebentou na "You oughta know", me deixou comendo poeira. Em compensação, o nosso baterista é melhor. E a Elaine/Alanis canta igualzinho a ela, nem preciso ir ao Rio ou a Brasília para ver o show, já que não tenho nem tempo nem dinheiro.
Mas valeu muito a pena. Em breve, fotos da Guarda do Conde.
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