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segunda-feira, 12 de setembro de 2005

AGENDA ORKULTURAL - a tese

Título: A influência do Chiclete com Banana na trilha sonora do jovem brasileiro.
Epígrafe: "Chiclete pra grudar no seu ouvido" (Chiclete com Banana)
Dedicatória: a meus primos e amigos que viraram chicleteiros.
Agradecimentos: a meu primo por ter me convidado.
Resumo: MaFê's Reality Show vai contar sua primeira experiência em micareta com Chiclete com Banana.
Abstracts: Mostra de Realidade de MaFê is going to tell her first experience in micaretas with Bubble Gum with Banana.
Sumário:
1. Introdução
1.1. Problema
1.2. Objetivo
1.3. Justificativa
1.4. Metodologia
2. Histórico do axé em São Paulo
2.1. Chiclete com Banana
3. Carnafacul
4. Considerações finais

Introdução: Quem me conhece sabe que sou a ovelha negra da família. Enquanto meus primos se divertem aos sons de "Voa, voa, vem correndo nos meus braços", eu prefiro shows de tudo quanto é tipo. Bem, quase tudo.
Problema: O que fez meus primos virarem chicleteiros?
Objetivo: ver o que é que o Chiclete com Banana tem.
Justificativa: Saber por que eu sou a única da família que não é chicleteira.
Metodologia: Após uma semana de intensivo treinamento ouvindo Apollo FM (tão intensivo que sei distingüir as vozes de Ivete Sangalo e a mocinha do Babado Novo), a pesquisa de campo foi aplicada no Carnafacul, ocorrido no atentado dia 11 de setembro de 2005.

Histórico do axé em São Paulo
O axé surgiu no gueto da Bahia, com blocos carnavalescos de entidades como Ilê Ayê, Afoxé Filhos de Gandhy, Olodum e Muzenza. Estes blocos influenciaram o carnaval baiano, tomado pelo trio elétrico (invenção de Dodô e Osmar, cujo filho Armandinho toca "O azul de Jezebel no céu de Calcutá"). A divulgação da rádio Itapoan FM foi suficiente para o ritmo fazer sucesso na Bahia.
A descida para São Paulo aconteceu em 1985, devido ao sucesso do cantor Luiz Caldas "Fricote" ("Nêga do cabelo duro, que não gosta de pentear..."). Até então, as rádios brasileiras eram tomadas de sucessos estrangeiros, e o sucesso do axé fez com que as vertentes da música (sertanejo no Centro-Oeste, pagode no Sudeste, forró no Nordeste e tecno-brega no Norte) fizessem maior sucesso.
O sucesso da então denominada axé music foi o suficiente para crescer o turismo de Salvador e de outras cidades, dado a seus carnavais e micaretas.
Chiclete com Banana
O Chiclete com Banana surgiu de uma antiga banda de formatura, a Scorpius. Começou a tocar em trios elétricos em 1980, revolucionando o equipamento de forma que os artistas ficassem em cima do trio, em vez de no lado. O nome "Chiclete com Banana" surgiu em 1982, e apesar deste nome ser de uma música conhecida do Jackson do Pandeiro ("Só ponho be-bop no meu samba quando o Tio Sam pegar no tamborim...") foram criadas diversas lendas para tal.
O grupo lançou três discos, quando o terceiro, em 1984, foi recolhido pela Censura Federal, por haver duas faixas suspeitas de ofender a moral e os bons costumes da época.
Em 1986, dois músicos saíram do grupo, entre eles o principal compositor. Mas foi neste ano com o LP "Gritos de Guerra" ("Eô, eô, aiaiaiaia...") que o grupo passou a fazer sucesso no Brasil, participando diversas vezes do programa do Chacrinha. Bell e Wadinho, compositores remanescentes, escreveram "Festa do Estica e Puxa" para a Xuxa. E continuaram a fazer sucesso até hoje, "sem teorias nem mistérios para ser explicado." (site Chiclete com Banana, 2005)

Carnafacul
A edição do ano passado contou com Ivete Sangalo e Asa de Águia ("Dança da manivela"). A deste ano teria Jeito Moleque (e sua interativa "'Por que você não fica comigo?' 'Eu ficoooo!'"), The Facul (a banda oficial das faculdades), Chiclete com Banana e Jammil e Uma Noites (antes conhecidos como Jheremmias Não Bate Corner, e agora conhecidos por "Sou praieiro, sou guerreiro, tô solteiro, quero mais o quê?")
O Centro de Exposições Imigrantes estava totalmente lotado, tanto que a gente ficou uma hora na estrada pra conseguir entrar. Quando entramos, minha prima me ensinou a arte de montar um abadá. Abadás prontos, seguimos para o show. Quando chegamos, a banda Jeito Moleque já tinha tocado. Entrava agora o trio elétrico do The Facul. Tocando muito axé, mas também tocando Marron 5, CPM 22, Ramúndios, e "I will survive" versão carnaval!
Anoiteceu e ia começar o show do Chiclete com Banana. Segundo minha prima, a energia deles no palco contagiaria a todo mundo. Começou o show. Muitos pulavam, muitos dançavam, alguns "guerreavam"*, e quase todos sabiam as letras das músicas do Chiclete. Suas músicas não tocam nas rádios (a última a tocar na rádio foi "100% você", que eu escutava na rádio do serviço), e a banda vive dos seus shows para divulgação. Bell, o vocalista, era uma simpatia só. Com sua tradicional bandana amarrada, sua tradicional guitarra, sua tradicional barba e seu tradicional sorriso, encerraram um princípio de tumulto que havia na frente do palco: "Gente, na paz, na maciota!"
Pessoas que são iniciadas em micaretas e axé curtiam isso direto. Eu só sabia as mais conhecidas, que além de "100% você", havia "Cabelo raspadinho", "Diga que valeu" "Nana ê" (dos meus tempos de Porto Seguro), e, é óbvio, "Cara-caramba-cara-caraô". Eu já estava ficando é cansada, foi daí que no meio do nada, eu começei a gritar: "TOCA CARA-CARAMBA-CARA-CARAÔ!!!!", causando risada a todos em minha volta. Foi quando Bell e suas maratonas de música (tocando direto só pra fazer o povo pular) começou: "Cara-caramba-cara-caraô". Nossa, gritei muito e pulei muito, acho que era quem estava mais pulando naquela hora. Depois, mais um pot-pourri e eles tocaram "Vambora amar", a primeira música do Chiclete que eu ouvi na minha vida. Só dava eu pulando! Ainda tocaram "Menina do cateretê", também de Porto, e assim, acabou o show, quando eles reprisaram pela décima** vez "Quero Chiclete" ("Chi-cle-te, Oba! Oba!").
Eu já estava com minha missão cumprida quando veio o trio do Jammil e Uma Noites. Os caras estavam com pique de carnaval mesmo. Abriram com "Praieiro", seu principal (e único?!) sucesso (?!). Cantaram a música "Lança lança", que foi polêmica por fazer apologia ao loló. E cantaram uma música que parecia chupinhada do "Lindo Balão azul". O mais interessante, é que quando eles falaram que iam cantar músicas que representassem a história do Jammil, eles sempre tocavam músicas do Netinho ("Milla" e a da novela Corpo Dourado). Apesar de eu não estar agüentando mais: "Se num guenta, por que veio?", achei que o show deles representava o verdadeiro espírito do trio elétrico, pois cantavam músicas dos outros, "Superfantástico", e (Pasmem!) U2. Eles cantaram pela vigésima vez "Quero chiclete", e pela trigésima vez "Praieiro", e finalizaram o show.

Considerações finais, ou "Então, diga que valeu"
Ingresso para o Carnafacul: R$ 80,00
Frete: R$ 10,00
Estacionamento para a busca do abadá: R$ 5,00
Refrigerante: R$ 3,00
Estacionamento do local rachado com meus primos: R$ 5,00
Ouvir Chiclete com Banana cantando "Cara-caramba-cara-caraô" ao vivo, NÃO TEM PREÇO! Mas também no final, o evento deixou a desejar. A única saída que tinha gerou alguns princípios de tumultos, empurra-empurras, encoxa-encoxas, são-paulinos gritando "ê ô, ê ô, Tricolor, tricolor!", pisoteamento. Eu que tinha ido de sandálias***, quase volto sem os pés. Também havia apenas uma saída para veículos, seja ônibus fretado, seja automóveis, o que fez com que a gente ficasse uma hora esperando diminuir o movimento, e uma hora saindo do local.
Quanto ao Chiclete com Banana, muitas pessoas vão para curtir, muitas pessoas vão para dançar, muitas pessoas vão para beijar, e essa mistura causa o sucesso de suas micaretas.
Agora, se eu virei chicleteira ou não, é óbvio que NÃO!
E, com licença, que vou me desintoxicar ouvindo rockzinho do bom!

* Guerrear no sentido de achar uma "presa" para o "ataque". Argue!
** Ok, eu estou exagerando. Para quem gosta, é um prato cheio, mas não me atingiu.
*** Dica de micareteira: sempre vá de tênis a micaretas!

Fontes:
http://carnaval2005.terra.com.br/interna/0,,OI462458-EI4498,00.html
www.axecia.com.br
www.chicletecombanana.com.br
www.rebeca.eca.usp.br

Anexos: Por motivos óbvios, não foram tiradas fotos do show (não podia levar câmera nem nada). Mas eu resgatei uma foto antiga do Chiclete com Banana. Está aqui.

Um comentário:

Ronivaldo disse...

aê explicar o sucesso do chiclete é impossivel, quem gosta gosta quem mao gosta infelismente tem q se conformar pois chiclete e chiclete e ninguem derruba, portanto essa frase tem tudo a v, se vc e chicleteiro DEUS te abençoa, se vc nao é DEUS te perdoa, para os chicleteiros: siga-me siga-me!!!!

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